FREUD ESTAVA ERRADO

FREUD ESTAVA ERRADO
Por Vitor Barreto.
Professor do Curso “Estudos Epistemológicos” do INTESI.
Freud acreditava que a ideia de Deus nasceu como uma projeção de um pai amoroso em controle dos aterrorizantes mistérios do universo, por parte de mentes humanas primitivas. A ideia de Deus, portanto, seria uma ilusão com o propósito de confortar seres humanos aflitos. Ao mesmo tempo, no nosso cotidiano, é comum ouvirmos que fé e razão são áreas mutuamente exclusivas. A ciência, ou a razão, lida com aquilo que é objetivo, com os fatos e com o funcionamento dos fatos, enquanto a fé lida com o não-racional, com os valores subjetivos.
Isto significa que, na medida em que a humanidade “avança”, a necessidade de se ter fé diminui. A fé era mais necessária quando o ser humano era mais primitivo.
Nesse panorama, o problema entre a verdade do cristianismo e o ateísmo é simples: o ateísmo é visto como a crença racional e o cristianismo é visto como a crença irracional, porque a razão foi definida para excluir a fé.
Como cristãos, precisamos rastrear a origem de tal definição. A definição de fé como um salto além da razão só faz sentido na cosmovisão ateísta, onde uma Mente Absoluta (Deus) é negada, tornando o universo fundamentalmente irracional. Se o universo não é criado por um Ser racional, ele não é racional.
Na cosmovisão ateísta, a mente última do universo é a mente finita do ser humano, que existe em um oceano de irracionalidade. Qualquer coisa além daquilo que é alcançável pela mente humana está além da razão, sendo considerado realmente irracional.
Agora, é com este panorama que Freud chegou àquela conclusão sobre a ideia de Deus e a religião. Quando Freud caracteriza a religião como um salto além da razão, ele está descrevendo o irracionalismo inerente à cosmovisão ateísta. O pai da psicanálise assume de antemão o panorama não-cristão do materialismo evolucionista, e a partir desse panorama, descreve a consciência humana primitiva evoluindo de forças evolucionárias puramente não-conscientes, não-racionais e materiais. Ele nem sequer tentou provar que mentes humanas pensando sobre Deus e forças além de seu controle estão pensando sobre o reino do não-racional de onde suas mentes emergiram, razão pela qual estariam em auto-engano.
Cristãos epistemicamente autoconscientes e conhecedores da metafísica ensinada na Bíblia, contudo, estarão preparados para não se deixar levar pela “sabedoria deste mundo”. Isto porque a fé cristã em coisas além da razão humana não é um apelo ao não-racional, mas, antes, ao absolutamente racional. O cristão confia em Deus, que é absolutamente racional e soberano sobre tudo o que existe. Seres humanos, sendo criados à Imagem de Deus, existem em relacionamento pessoal com Deus desde o princípio, sem qualquer necessidade de inventá-lo para driblar a própria ignorância.
Deus estabeleceu um diálogo sobrenatural direto com Adão em Gênesis 2, antes mesmo da tentação da serpente. O homem foi criado para conhecer Deus. Deus criou todo o universo de acordo com um plano racional pré-estabelecido, onde tudo está pré-interpretado por Ele e dotado de propósito. O cristianismo é o domínio do Logos (João 1:1).
Tendo isto em mente, podemos concluir que o debate entre cristianismo e ateísmo não pode ser definido como uma questão de fé versus razão. O debate deve ser definido desde o princípio como o embate entre duas cosmovisões: uma cosmovisão onde o não-racional é fundamental (ateísmo) e outra cosmovisão onde o racional é fundamental (cristianismo).
“(...) o pensamento moderno acredita em um irracionalismo último, enquanto o cristianismo acredita em uma racionalidade última.” (VAN TIL, Cornelius. “An Introduction to Systematic Theology.)
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